quinta-feira, 30 de julho de 2009

Já deu.















Toda vez que chego ao fundo do poço
acho que meu mundo vai se acabar.

O buraco é fundo
acabou-se o mundo.

Já cheguei tantas
tantas vezes a esse tal de fundo de buraco
e ainda estou aqui, nesse mundo.

O buraco é fundo
acabou-se o mundo.

Mas o meu mundo se acaba a cada queda.
Antes acreditava que fosse um acabar definitivo.
Acabar acabado.

Mas não.
É um arremedo de acabar.
Arremedo preparatório para o fim.

E assim a cada queda
a cada encontro com o fundo,
emerjo, pasmem!
mais morta.

9 Deixe aqui seu comentário:

onzepalavras.com disse...

sempre viva! a vida prevalece, prevalecerá!

Anônimo disse...

esse é o milagre da vida! Quando a gente pensa que tudo acabou, que chegou ao fim, lá vem o sol e a gente começa tudo outra vez!
Beijo,
sonia

C.Lima disse...

Costumo dizer para eu mesma que o céu é o limite.. e olha que nem tanto! Bom final de semana.

Anônimo disse...

Já assistiu "O enterro da menina morta???"
Fora a pretensão meio a "la Gerald Thomas", essa mania de querer dizer a verdade, em essência, a sua escrita me fez lembrar do filme ...
Adorei outra vez!

Lesma de sofá disse...

A morte ronda, o fim ronda e nós vamos nos familiarizando deles a ponto de ficarmos amigos no fim das contas.

Marfim Cariado disse...

não seria a festa da menina morta?

que bom q ainda gosta do texto tonha, e eu adoro suas visitas. bela imagem, quero comer essa beterraba!!!

Anônimo disse...

Verdade.... É a festa da menina morta. Mas não foi um lapso à toa.... Se foi lapso, não preciso dizer mais nada.
A pretensão que eu me referi, foi a do Matheus (diretor filme). Porque relendo meu post,achei que do jeito que eu escrevi deu margem para pensar outra coisa.(rs!)

Claudio Godi disse...

É a temática do renascimento. Como se o fundo de tudo determinasse o fim revela-se, no eu-poético como uma nova possibilidade de soerguimento. Gostei dos versos livres, do belo desenho formado entre as palavras, da fluência e ritmo da poesia livre, que se deseja. O "mais morta" revela-se como um valor antitético, como se mais morta tivesse vais vivo e consciente tivesse. Prezei ler, parabéns, beijos e saudações de Godi.

Juliana Durães disse...

Tonha, começo a ler também o seu blog. "Ainda estou aqui", depois de um buraco fundo, outro. Beijão.

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