da brancura da morte.
Do tamanho
quase do tamanho do balcão de doces da padaria.
Juntos mãe e menino
tateavam.
A vida
e o balcão de vidro.
Só vi o verso.
Roupa de menino
Cabeça com poucos fios
Cabelos e meninice roubados
Pela dor
de gente grande.
Usava boné
mas a cicatriz era maior.
Grande
vinha da cabeça e atacava a nuca.
No pescoço
uma fitinha amarela.
E os dedos
amarelos e quebradiços.
A mãe só carinhava.
Quando ouviu "próximo"
abaixou-se e perguntou:
o que você quer?
Pergunta dura
que me jogou pro canto
Entendeu chocolate.
e pediu mais.
Pro menino se encher de doce
e valer a pena estar ali.
Quando o menino virou-se
Parecia buscar na memória de sua breve vida
(eram apenas nove anos)
O b-a-bá do andar
Seguiu.
Com a mãe atrás.
Perto do carro ela o deixou
apertada.
Era preciso que ele entrasse no carro.
Que ele sentasse
se ajeitasse.
E que na impossibilidade, seguisse.
Conseguiu.
Mas eu não.
Não consegui não chegar bem perto
E não dizer.
Dizer
que ele estava indo muito bem.
Me fiz de seu tamanho
e fiquei de seu tamanho.
E vi.
O menino estava torto.
Como tantas vezes sou torta.
Como tantas vezes sou retorcida.
Era o lado direito.
Boca.
Olhos.
E óculos pra acompanhar esse desalinho de vida.
Pra que esses olhos tão grandes?
Grandes.
Verdes amarelados.
Limão tirado do pé antes da hora.
Ardem
Queimam.
Pra dizer Ariel
nome que tanto demorei pra entender
passou o dedinho pela fitinha amarela
e apertou a garganta.
Mentira.
Não era a garganta.
Era um pino de aço
no meio da garganta.
E então ele riu.
de mim.
E dos cavalos que saltaram de minha cabeça
Invadiram meu apartamento
Ganharam uma fazenda
De tanto que meu Branco gosta deles
E dos nomes possíveis
Para seus cavalos
Para seu amanhã
Falcão, Moreno...
E de dentro dele
um som
um barulho
e uma revelação
Riu
e expulsou de dentro de sua dor
o nome de seu cavalo.
Que eu esqueci.
Rimos mais.
E precisamos nos tocar.
Minha mão
e a mão amarela do menino.
Vida e morte.
Juntas.
Vontade de viver
minha e dele.
Agora sei.
Sei.
Sei.
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Me lembrou trechos de A menina que roubava livros.. Fabuloso. Beijos e boa quarta.
Olá Tonha.
Andei pelo seu mundo aqui mostrado. Gostei do que já vi. Acabei me viciando e...acho que vou vir sempre por essas bandas.
Obrigada por escrever essas palavras.
Obrigada por me permitir estar aqui com vc.
Abraços. Adriana.
Seu menino veio comigo, e os olhos que ardem e queimam também são hoje os meus. Seu texto (lindo) é uma prece, ele recebe amor, uma letra de cada vez.
Bestificada! Estou gostando muito que tenho lido.
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