
Sei que hoje é seu aniversário. Sei que penso muito em você. Tenho pensado nas suas casas. Nossas casas. Foram muitos anos escondida no aconchego de seus cantos. Vem o cheiro de sua cozinha. O chamado do seu café de bule. De tarde. Já no entardecer de sua vida. Vem o cheiro de porão. De passar. De costurar. Roupa. Nossas roupas. Agora minhas. Que você descosturou. E me deu. E eu fiquei aqui. Abrindo saco. Juntando trapos. Tentando reconstruir nossa estória. E agora, exatamente agora. Eu que pensava não ter saudades. Encharco o teclado. Ardo meus olhos
E te vejo.
No lado de fora.
De sua última casa.
Me esperando chegar. Chegarei vó. Não sei se chegarei logo. Mas chegarei.
Por hoje. Penso em você assim. Perto de mim.
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Seu texto é a sua própria assinatura. A autora depurando seu estilo. Belo.
é mesmo... vc tem um estilo. e ele é inconfundível! único. Lindo!
beijos,
sonia.
É um estilo de quem assinala para si mesma cada sensação de sua própria estória e as traduz em palavras. A letra encarnada de emoção...
O doido disso é que definitivamente a vida é sempre para "um só depois", porque vamos combinar, que nem mesmo você via a sua vó com tanta poesia, não é?
ADOREI!!! Um abraço
Uau Tonha!! Muito bonito (Maria Antônia)! Seu texto me deu saudades de algo que nem mesmo vivi nem vi. Mas senti saudades ao lê-lo.
Sempre com saudades...
ccc
Qta coisa viva os que já não o são nos fazem sentir! É preciso estar atento a essas "presenças"... V. está e ainda mais: consegue transpor isso às palavras. parabéns!
Vera
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