Heliodora vivia arrumada. Parada em frente a seu casarão esperava de pé, sentada não. De tudo que não pôde viver, só não deixou para trás seus vestidos coloridos. De resto, deixou alegria, esperança e maridos.
Oito décadas se passaram e Heliodora ainda não conseguira ser a mulher que todos esperavam. Era frágil e delicada, sem forças para dizer o que sentia, o que queria e porque tanto sofria.
Talvez por isso fosse à porta todos os dias. De lá, embaixo da soleira, tentava avistar em vão aquilo que a tiraria de tamanho turbilhão.
Mas Heliodora que de novo, nada trazia, da noite para o dia largou a sair de sua porta, ganhar a calçada, chegar a esquina, dar uma olhada pra quem sabe, encontrar Heliodora menina.
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Do meu lado muito íntimo, te falo que não precisa ter 8 décadas para se buscar a menina em nós.
De verdade, se Heliodora buscava é porque a coragem vivia nela, talvez mais do que se tivesse encontrado a menina.
(Um segrêdo talvez)
Um poema em prosa! Gotei demais! Há tantas Heliodoras perdidas na vida, prisioneiras de si...
Tenho medo de um dia repetir os passos de Heliodora, de chegar à esquina e não avistar nada, não porque o sol me ofusque as vistas, mas porque é tudo sombra, e silêncio, e vazio.
Estava com saudades de ler você!
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